Pesquisadores suíços testam com êxito em animais de laboratório terapia que dificulta morte prematura de células, processo que leva à surdez. São consideradas boas as perspectivas de combate à doença no homem.
A pesquisa é realizada pelo Centro Hospitalar Universitário de Cantão de Vaud - CHUV - por vários especialistas que conseguiram “inibir” o processo de morte das células que resulta em perda da audição.
Segundo o biologista Christophe Bonny, um dos principais implicados na pesquisa, já se chegou à fase pré-clínica. E o especialista estima que “os resultados sejam transferíveis ao homem”, explicando que “a estrutura da orelha interna é idêntica em todos os mamíferos e seu tamanho varia pouco, seja a do rato, seja a do elefante”.O biólogo está, portanto, otimista: “Se conseguirmos provar a eficácia de nossa terapia, teremos campo livre para desenvolver outras moléculas”.
Histórico
O projeto nasceu nos laboratórios do hospital universitário mencionado, em 1999. Em pesquisa sobre diabetes, foi identificada pela equipe uma molécula capaz de impedir a morte de células produtoras de insulina. Esse agente bloqueia a enzima que provoca a destruição celular.
A equipe de Dr Bonny transformou então essa proteína complexa em instrumento terapêutico comercializável. Foi sintetizada uma seqüência ativa, composta por uns vinte ácidos aminados (portadores de informação genética).“Faltava fazer que o inibidor penetrasse na célula, explica o biologista. Nós adaptamos um transportador de nove ácidos aminados, que acoplamos à nossa seqüência”.
Segundo o especialista, esse transportador é uma “maravilha” porque é fácil fazê-lo penetrar rapidamente na célula, é extremamente estável e garante proteção por várias semanas”.
Dr Bonny fala também das “vantagens” da molécula: “Pode ser produzida quimicamente em grandes quantidades e a custos razoáveis”. Afirma também que a descoberta poderia ter aplicações no combate a doenças como Alzheimer e Parkinson.
Atualmente são realizadas pesquisas sobre surdez, ataques cerebrais, transplante de órgãos e diabetes. E, afirma o pesquisador, não se observou efeito tóxico nos animais. Mas observa que serão necessários testes toxicológicos antes de se passar à fase clínica, ou seja, ao tratamento de pessoas.Diferentes acidentes geram anualmente problemas auditivos em 300 mil pessoas no mundo. Perda parcial da audição pode ser provocada também por certos antibióticos e quimioterapias, lembra Dr Bonny. Acrescenta que apartir dos 60 anos, 20 a 25% dos homens e mulheres sofrem de déficit auditivo. Os dois tipos de surdez se explicam pela morte das mesmas células, destaca o biologista.