A Digsom têm recebido muitos pacientes jovens para realização de exame audiométrico ( perda auditiva )para concursos públicos, ou admissão em concursos já aprovados.

Nos últimos meses isso tem chamado nossa atenção, ao perceber rebaixamento em frequências graves. Já foi necessário em muitos casos parar o exame e reorientar o paciente para conferência de limiares(que indica quando um som consegue ser ouvido), pois é possível que esse jovem possa não ser habilitado para o concurso devido alteração no exame de audiometria.

A quantidade de jovens com esta característica nos assustou: foram mais de 20 jovens! Estes todos com limiares parecidos e após o exame, o paciente foi questionado sobre uso de fones de ouvidos e pasmem: todos eles afirmam utilizar por mais de três horas seguidas, sem pausa com e com volume geralmente acima do recomendado.

É comum e todos nós observamos hoje as pessoas passando na rua com algum objeto pendurado em seus ouvidos, são os fones Bluetooth e que podem ser adquiridos com valores mais altos por terem mais qualidade sonora e mais proteção auditiva aos usuários, como pode também ser encontrado em lojas simples com vendas de mercadorias chinesas e valores acessíveis.

Pesquisas sobre o assunto

De acordo com pesquisas, é a associação do volume alto e a carga horária da exposição que causa o dano. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 1 bilhão de pessoas no mundo já têm algum tipo de deficiência auditiva. Ainda citado na mesma pesquisa, aproximadamente 50% da população entre 12 e 35 anos moradora de países de média e baixa renda escuta música em intensidade que pode ser prejudicial para a audição. Os fones de ouvido são importantes fatores dessa estatística. Por isso, é importante estar atento para conseguir aproveitar as melodias e manter-se saudável.

Apesar de liberar a endorfina (hormônio do prazer), o som alto pode lesar o ouvido de qualquer pessoa. E, dependendo do tempo de exposição ao barulho, as células auditivas podem até morrer. A cóclea, parte interna do ouvido, tem entre 15 mil e 18 mil células ciliadas, que têm a função de transformar as ondas sonoras que chegam do ambiente ao ouvido em ondas elétricas e carregam informações para o cérebro. Quando o som é absurdamente alto, esses cílios são “arrancados” e destruídos. Eles não se regeneram mais. Aí se dá a perda auditiva por exposição excessiva a ruídos, conforme ilustrado na imagem a seguir (Fonte: Bem estar, Rede Globo):

 — Foto: Arte/TV Globo

Podemos prever que em breve teremos muitos jovens com sua audição prejudicada devido mau uso desses acessórios. Oriente quem você convive sobre o uso excessivo de fones de ouvido, cuide de você e de quem você conhece que faz uso indiscriminado deles. Ajude, ou peça ajuda à profissionais capacitados para uma orientação adequada.

 

Sobre a  Autora:

 

 

Dra. Francielly Guimarães de Oliveira Lippel
CRFª: 3-8848
Graduada em Fonoaudiologia pela Univali
Pós-graduada em Motricidade Orofacialmiofuncional pelo CEFAC