Audiometria vocal: reconhecimento dos sons da fala

O que é audiometria vocal?

A audiometria vocal é um exame auditivo complementar da audiometria tonal.

Qual o objetivo do exame?

A audiometria vocal tem como objetivo avaliar a habilidade de perceber e reconhecer os sons da fala. Além disso, é fundamental também para a adaptação dos aparelhos auditivos, pois, os seus resultados auxiliam na seleção, avaliação e adaptação do aparelho.

Como é realizado o exame da audiometria vocal?

A realização do exame consiste no paciente ouvir palavras através dos fones de ouvido e repeti-las devendo acertar no mínimo 88%, baseado na porcentagem máxima de 100%.

Requisitos para realizar o exame:

  • O paciente precisa ficar de repouso acústico por 14 horas, ou seja, durante esse período é importante não estar exposto a ruídos fortes e constantes.
  • Caso já tenha realizado um exame de audiometria anteriormente, trazer na consulta para o fonoaudiólogo ter parâmetros audiológicos.

O exame inclui os seguintes testes:

  • Limiar de Reconhecimento de Fala ou Speech Reception Threshold (SRT).
  • Limiar de Detecção de Fala ou Speech Detection Threshold (SDT).
  • Índice Percentual de Reconhecimento da Fala (IPRF) ou índice percentual de discriminação.

Limiar de Reconhecimento da Fala (LRF) ou Speech Reception Threshold (SRT)

Corresponde à menor intensidade com a qual o paciente é capaz de repetir 50% das palavras faladas (geralmente dissílabos para adultos ou trissílabos e ordens simples para crianças). O paciente repete palavras que são representadas com intensidades cada vez menor. Inicia-se o teste com 30 – 40 dB acima da média tonal nas frequências de 500, 1.000 e 2.000. A cada palavra corretamente repetida, diminui-se 10 dB, até que o paciente não consiga repetir ou ouvir. Então, aumenta-se 5 dB e mais quatro palavras são solicitadas para o paciente repetir, chegando a um determinado ponto em que acerte 50% das palavras apresentadas. O SRT deve corresponder à média dos limiares tonais por via aérea nas frequências de 500, 1.000 e 2.000 Hz; podendo ser obtido nas intensidades de 5 – 10 dB acima desta média. Caso a média das frequências de fala, não corresponda ao SRT, deve-se suspeitar que o paciente tenha uma perda auditiva que prejudique a compreensão da fala.

O teste de recepção e reconhecimento da fala podem ser aplicados em criança, mas com algumas modificações:

Em crianças pequenas de 18 – 36 meses de idade:

  • Instruídas para apontar para várias partes do corpo, como “Cadê a mão?”, “Cadê o pé?” ou atender ordens simples como: “Dar tchau”, “Dar beijo”.

Em crianças de 3 a 5 anos:

  • Repetir as palavras (geralmente trissílabas);
  • Executar ordens simples;
  • Crianças com problemas de fala (trocas, omissões, distorções fonêmicas) apontam para o quadro que contém as figuras das palavras apresentadas.

Limiar de Detecção de Fala (LDF) ou Speech Detective Threshlod (SDT)

Mede a menor intensidade com qual o paciente consegue detectar a presença de fala. É realizado quando o paciente não consegue ou não quer repetir as palavras de SRT. O limiar obtido ao SDT é o melhor limiar obtido nas frequências testadas.

Índice Percentual de Reconhecimento da Fala (IPRF) ou Índice Percentual de Discriminação

Mede a habilidade do paciente em repetir palavras (monossílabos ou dissílabos) com aproximadamente 40 dB Nível de Sensação, ou seja, 40 dB acima de média de limiar das frequências de 500, 1000 e 2.000 Hz.

Os resultados dependem do grau e tipo de perda auditiva que o paciente apresenta.

Em crianças menores de 3 anos de idade. O IPRF pode ser realizado com pranchas de figuras para facilitar a cooperação da criança.

  • Nos padrões de normalidade, a discriminação pode variar de 88 a 100%.
  • Entre 60 e 88 %, pode-se suspeitar de lesão coclear.
  • Com discriminação < 60%, a suspeita é de lesão retrococlear.