“Eu não compreendo o que as pessoas falam” – Conheça o Processamento Auditivo

“Eu não compreendo o que as pessoas falam” – Conheça o Processamento Auditivo

Você já ouviu falar sobre o Processamento Auditivo Central? O processamento auditivo central é a capacidade do ser humano em decodificar (traduzir) uma informação auditiva, desde a chegada do som até a sua interpretação realizada por tronco encefálico e córtex auditivo. Ou seja, toda informação que chega à audição humana (orelha externa) é transmitida através de vias auditivas centrais através do desempenho de habilidades auditivas.É necessário um bom desempenho destas habilidades para que toda informação sonora chegue ao nosso córtex de forma organizada e assim possa ser interpretada.

Muitos pacientes apresentam dúvidas sobre a sua própria audição, tais como:

“Será que eu escuto bem?”

“Acho que tenho perda auditiva…”

“Eu não consigo entender o que eu escuto.”

entre outros…

Muitas vezes, essas queixas não têm relação com uma perda auditiva, mas com a dificuldade de compreender uma informação sonora, sendo denominada como um Distúrbio de Processamento Auditivo Central. Este Distúrbio, popularmente conhecido como DPAC, é caracterizado por afetar as vias centrais auditivas, prejudicando o desempenho de habilidades responsáveis pelo transporte da informação sonora até o córtex cerebral.

Quando montamos um quebra-cabeça é fácil visualizar uma imagem, conseguindo reconhecer a informação visual, porém, é necessário que não falte nenhuma peça durante a montagem.

O mesmo ocorre com as vias auditivas centrais, em que alguns autores, o descrevem com uma desordem no processamento dessas informações auditivas, como se cada habilidade auditiva central fosse uma peça de um “quebra-cabeça”, em que chegam ao córtex de maneira isolada ou desorganizada (desmontada), prejudicando a interpretação dessas informações, o que propicia a falta de entendimento daquilo que é escutado.

Algumas funções do processamento auditivo central estão relacionadas à: localização sonora, discriminação e reconhecimento do padrão auditivo, aspectos temporais da audição, entre outros. Pessoas que apresentam o DPAC possuem limiares auditivos dentro dos padrões de normalidade.

 

QUAIS SÃO OS SINAIS DO DPAC?

Este distúrbio é comum em crianças, observado principalmente no contexto escolar, apresentando:

  • Dificuldades de leitura e escrita e matérias de conceitos abstratos, como a matemática.
  • Trocas nos sons de fala. Exemplo: /p/ por /b/ (bola = “pola”)
  • Desatenção, devido à incapacidade de exclusão do ruído.
  • Dificuldades de memorização.
  • Localização e lateralização do som.
  • As perguntas solicitando a repetição são frequentes nas crianças com DPAC, como, por exemplo: “Hã? Você pode repetir?”, “Não entendi…”, “O que era para fazer mesmo?”.

Em adultos o DPAC também está presente, considerando que as principais queixas estão relacionadas à:

  • Dificuldade de compreender uma informação durante um telefonema
  • Dificuldades durante conversas em ambientes ruidosos
  • Falhas de memorização
  • Dificuldade para aprender uma nova língua
  • Dificuldades de leitura
  • Desatenção
  • Ansiedade e frustação
  • Desorganização

ENTENDA O PROBLEMA COM O PROCESSAMENTO AUDITIVO CENTRAL

caracteristicas do processamento auditivo central

COMO É REALIZADO O DIAGNÓSTICO?

O Exame do Processamento Auditivo Central consiste em testes que avaliam as habilidades auditivas centrais do indivíduo, sendo necessária uma avaliação auditiva prévia, bem como audiometria tonal limiar e imitanciometria, a fim de que não haja demais fatores a influenciar o resultado do exame.

É indicado para crianças maiores que sete anos, considerando questões de maturação neurológica (corpo caloso) responsáveis pela interação dos dois hemisférios cerebrais. O exame é realizado por um fonoaudiólogo, especializado em audiologia, podendo este, reabilitar pessoas com o presente distúrbio, por meio de terapias e treinamento auditivo.

Você apresenta alguma dificuldade em relação a sua audição? Procure um profissional qualificado, consulte um fonoaudiólogo!

 

Post escrito pela convidada Louise Chaves Mendes de Moraes acadêmica em Fonoaudiologia do IELUSC.

2019-04-23T16:41:28+00:00