No dia 03/06/2020 foi realizado uma live pela plataforma do Instagram com a Dra Francielly Lippel, Graduada em Fonoaudiologia pela Univali e Pós-graduada em Motricidade Orofacialmiofuncional pelo CEFAC junto com o paciente da Digsom Wilson Martins. Confira abaixo um resumo de como foi a live:

FONO: BOA NOITE WILSON, TUDO BEM? CONTE UM POUCO SOBRE A SUAS DIFICULDADES E QUANDO COMEÇOU A PERCEBER A SUA PERDA AUDITIVA:

WILSON:

Boa Noite Fran, então desde que me lembro, em minha trajetória de vida, tenho relutado com a deficiência auditiva, quando criança, minha mãe sempre me advertia pelo fato de não prestar muita atenção em determinados momentos, e dizia “eita menino desatento”, e chamava, “Wilson presta atenção no que estou falando menino!”.

Na escola, já sentava sempre a frente, segundo as professoras, era porque eu me distraia facilmente e já puxava conversa com o coleguinha, mas na verdade era pra poder entender melhor, já nesta época conseguia ler os lábios das pessoas. Na adolescência, queria muito aprender a tocar e cantar assim como meu pai e meus tios, mas como desafiava, ou, como dizem os músicos, “semitonava” muito, meu pai já dava uma bronca como rigoroso professor, e eu larguei mão daquele negócio.

Aos 14 anos o pai perguntou, o que você quer de presente meu filho, um violão ou uma máquina de escrever, sendo que naquela época os famosos cursos de datilografia estavam em ascensão, lembrando das broncas, a escolha foi óbvia, máquina de escrever, para certa tristeza do meu velho que desejava muito que seu primogênito também aprendesse a arte da música.

Com 18 anos, decidi que faria seminário, mas não queria ser pastor ou padre, eu tinha uma paixão pela música, e segui este caminho, logo de cara, já enfrentei além de todos os problemas de adaptação e novos caminhos, a tal dificuldade auditiva, mas nunca tinha parado para verificar tal situação, minha professora de Canto me instruiu a fazer alguns exames, foi o meu primeiro contato de fato com um especialista, e então veio o diagnóstico, 45% de perda auditiva, mas a vida que segue, terminei o curso, brigo com a nota sol até hoje.

 

FONO PERGUNTA: O QUE TE FEZ TOMAR A DECISÃO PROCURAR REABILITAÇÃO AUDITIVA? COMO CHEGOU NA DIGSOM?

WILSON:

Eu estava começando a me sentir prejudicado em meu trabalho, quando participava de reuniões era algo muito cansativo, tinha que ficar muito atento para quem estava falando, e isso me deixava muito cansado, saia exausto de reuniões, e quando, eu tinha que conduzir as reuniões, eram mais complicadas ainda, visto que, eu não conseguia interagir com clareza, as pessoas faziam perguntas e eu não conseguia entendê-las, tinha que perguntar mais de uma vez, solicitando que as pessoas repetissem, era muito complicado.

Num dia fui fazer o atendimento de uma Dra, por telefone, pois pessoalmente já tinha desistido, e não conseguia ouvir claramente o pedido dela. Um senhor do financeiro, que era usuário de um aparelho auditivo, já sabendo e vivenciado a situação, me disse, Wilson, procure uma clínica, você vai se sentir melhor. Tirou o aparelho dele e me deixou experimentar um lado, mas ele tinha só 25% de perda, mas já tinha feito grande diferença.

Então cheguei em casa, conversando com a esposa, e vendo uma propaganda da DIGSOM, decidi fazer a visita e realizar o teste.

 

FONO PERGUNTA: QUAL FOI A SENSAÇÃO DE ESTAR NA SALA DE ESPERA, O QUE VOCÊ IMAGINAVA E O QUE VOCÊ VIVENCIOU?

WILSON:

Depois de 30 anos, do meu primeiro contato com especialista, confesso que estava muito nervoso, porém fui muito bem acolhido na recepção pela atendente, mas estava assim como um bicho acuado no mato sabe, suava frio. rs

Já na sala de ajuste do aparelho teste, que me entregará somente 70% do que preciso, as emoções foram ao pico, e tive que admitir, sim eu sou deficiente auditivo. Naquele momento, qualquer dúvida ou tabu, caiu por terra, sons e mais sons adentraram a minha mente e alma, assim como se mergulha-se numa piscina, envolto pela água, algo incrível, além da clareza de ouvir o falar das pessoas ao meu redor, dos pássaros cantando, do som da respiração da fonoaudióloga, algo fantástico, ouvir o passar da mão sobre a roupa, fiquei impressionado com tanta experiência auditiva que fui privado. Essa experiência me deixou extasiado, só comparado ao dia que segurei pela primeira vez, minha filha nos braços.

Naquele dia ao sair da clínica, os sons iam me acertando um a um como a sensação dos raios solares num amanhecer de inverno. Pela primeira vez, pude ouvir de forma cristalina a voz de minha esposa, parece loucura, mas era como se andasse num nevoeiro leve, você vê tudo, mas há algo embaçado. No fim daquele dia, fui para a casa da sogra, o sítio, como falamos, as sensações foram ainda mais profundas, são tantos sons, detalhes nunca percebidos por mim, como se nunca estivessem ali, os animais, o vento, o Riozinho que minha esposa sempre citava em suas falas de paz, e outros sons incríveis.

FONO FAZ RELATO QUE PACIENTE TRABALHA EM UMA CLINICA DE EXAMES DE IMAGEM NA GRANDE FLORIANÓPOLIS NO SETOR DE TI. TROUXE DIVERSAS SITUAÇÕES DE DIFICULDADES NO SEU AMBIENTE DE TRABALHO.

WILSON:

No trabalho, tenho sido também agraciado com novos sons, você tinha comentado que, por causa do tempo, quer dizer, muito tempo, alguns sons com certeza eu teria que aprender a distingui-lo, e isso tem sido uma tarefa maravilhosa.

Em meu posto, existem vários sons ao redor, que eu nunca tinha me apercebido, um deles, foi do meu próprio acento, minha cadeira, não me incomodava, pois é confortável, mas percebi o quanto é barulhenta.

Não tinha notado o quanto o click do meu mouse, trabalho como suporte ao colaboradores, o mouse é uma das minhas ferramentas mais utilizada, e o click dele é incrível, rs, sim estou amando cada experiência.

FONO PERGUNTA: QUAL FOI A REAÇÃO DOS SEUS COLEGAS DE TRABALHO AO SABER QUE VOCÊ ESTAVA UTILIZANDO APARELHOS AUDITIVOS?

WILSON:

No relacionamento com meu público-alvo, os funcionários e médicos da clínica, tem sido algo, pelo menos para mim, muito especial, consigo realizar o atendimento e esclarecer suas dúvidas, podendo entendê-los melhor, com menos esforço.

A vida está me dando um belíssimo presente! Esses dias, o técnico da ressonância, chegou na sala de TI solicitando uma correção de uma imagem, geralmente ele fala comigo por telefone, naquele dia, devida a urgência da situação, ele se deslocou até a minha sala, e entre uma instrução e outra ele me olhou espantado e disse, nunca tinha visto que você utiliza um aparelho, desde quando você usa, eu disse, faz uns 6 meses, então ele disse, se não olho de perto nem ia perceber que você tem um aparelho.

FONO PERGUNTA: COMO O APARELHO AUDITIVO IMPACTOU EM SUA VIDA PESSOAL-FAMILIAR ?

WILSON:

O primeiro impacto foi no relacionamento com minha esposa, ela já estava muito cansada de tentar se comunicar comigo, ainda não fiz 50 anos, mas parecíamos dois velhos, ela berrava de lá e eu anh não entendi, daí ela saia de lá e vinha perto de mim, para dizer ou perguntar o que desejava. Agora com o aparelho, melhorou demais nossa comunicação, uma das situações conflitantes era assistir algo na TV, pois pra mim sempre estava muito baixo, hoje, eu que peço para ela baixar o volume. Rss

O convívio social melhorou demais, meus sobrinhos agora brincam, cuidado que agora o tio está ouvindo tudo e mais um pouco.

FONO PERGUNTA: O QUE VOCÊ PERCEBEU COM O USO DOS APARELHOS AUDITIVOS NO ISOLAMENTO SOCIAL DA PANDEMIA AO ESTAR EM CASA. (CONTAR DAS CRIANÇAS E EXPERIÊNCIAS AUDITIVAS)

WILSON:

Existe um outro isolamento que acontece independente de pandemia ou qualquer outra ação direta na população, este isolamento eu chamado de isolamento social acústico, ou simplesmente a perda auditiva do indivíduo.

Depois de conseguir ter meu problema de perda auditiva solucionado, não fico mais sem ele, as vezes até esqueço e acabo dormindo com ele, e é muito bom dormir ouvindo, rs.

Então decidi fazer um teste de 3 horas durante um dia normal, simplesmente não usando o aparelho, e esse resultado é o que estou denominando de isolamento social acústico.

É impressionante quando volto a perceber o quanto deixo de ouvir sem o recurso phonak, automaticamente há um som permanente em minha cabeça, como se fosse um motor girando constantemente, em níveis de silêncio, interrompidos por outros sons, como alguém me chamando insistentemente, uma porta que bate mais forte, ou até mesmo, um apito da chaleira com água fervendo.

Este motor girando chega a me incomodar gerando um stress na busca pelo que realmente está acontecendo em volta, e se eu fecho os olhos, é como se estivesse flutuando no espaço, numa câmera de vácuo.

Fico pensando, quantas pessoas estão com esta mesma sensação, isso porque minha perda é de 50%, quantas experiências auditivas não são percebidas, e quanto esforço é empenhando para romper este isolamento?

Por outro lado, quando estou com o aparelho, é muito interessante, eu da minha sala, ou do meu escritório em casa, esses dias, estava acompanhando uma menina do outro lado do bloco, era engraçado, pois, eu já tinha decorado todas as versões de parabéns pra você que ela tinha, o nome de todos os amiguinhos, de todos os bichos de pelúcias e dos animais de estimação. É estar inserido totalmente no ambiente. É algo maravilhoso, estar participando do local onde você vive, mora, trabalha.

FONO PERGUNTA: O APARELHO TE CAUSA ALGUMA DOR OU DESCONFORTO?

WILSON:

Eu me acostumei bem com o aparelho, como disse antes, as vezes acabo me esquecendo e até dormindo com ele, o que fiz, foi adaptar bem, o tamanho das olivias, e manter a manutenção padrão, que aprendemos já no primeiro contato com o aparelho.

FONO PERGUNTA: QUE MENSAGEM VOCÊ PODERIA DEIXAR PARA AS PESSOAS QUE ESTÃO EM DÚVIDA E COM MEDO DE UTILIZAR OS APARELHOS AUDITIVOS?

WILSON:

Um dos fatores que me impediram de procurar este tipo de tratamento mais cedo, foi o preconceito, meu mesmo, em admitir que possuo uma deficiência, após esse teste, ficou muito claro, sim eu sou deficiente auditivo, preciso procurar ajuda. E se você estiver na mesma situação, não demore tanto tempo, vá buscar ajuda, priorizando seus gastos e investindo em você, há uma beleza no ouvir que não há preço que pague por ele.

Mais uma vez agradecemos a participação de todos e nos encontramos na próxima LIVE, e fiquem a vontade para sugerir temas em nossas redes sociais.

Se você tem esta dificuldade, agende um horário e solicite uma avaliação, nossos aparelhos auditivos irão lhe surpreender. Nos envie uma mensagem via whatsapp ou telefone que iremos lhe auxiliar.

0800 052 9191
(47) 99966 2034

 

Sobre a  Autora:

 

Dra Francielly Lippel
CRFª: 3-8848
Graduada em Fonoaudiologia pela Univali
e Pós-graduada em Motricidade Orofacialmiofuncional pelo CEFAC