Em homenagem e comemoração ao dia internacional da Síndrome de Down, preparamos esse conteúdo muito especial falando um pouco sobre a saúde auditiva das pessoas com essa síndrome. Um breve histórico sobre a Síndrome de Down:

Um breve histórico sobre a Síndrome de Down

A Síndrome de Down (SD) é uma condição humana genéticamente determinada, é a alteração cromossômica mais comum e no Brasil seus casos chegam de 1 para cada 600/800 nascimentos. Ela foi descrita, estudada e publicada em 1866 pelo medico pediatra inglês John Langdon Down, que trabalhava no Hospital John Hopkins em Londres. O termo “síndrome” significa um conjunto de sinais e sintomas e “Down” designa o sobrenome do médico e pesquisador que primeiro descreveu a associação dos sinais característicos da pessoa com SD. Em 1959 descobriu-se então que essa síndrome apresenta como característica, a presença de um cromossomo extra, o cromossomo 21.

Dentre as alterações que essa síndrome poderá desenvolver nas pessoas, podemos citar as condições auditivas, e é nisso que iremos nos deter hoje!

Alterações Auditivas nas Pessoas com Síndrome de Down

Segundo as Diretrizes de Atenção às Pessoas com Síndrome de Down do Ministério da Saúde, cerca de 75% das pessoas com a trissomia sofrem perda auditiva ao longo da vida. Nas crianças, a causa mais comum é o fluido no ouvido médio e as otites de repetição ocorrem em 50 a 70%  dos casos, segundo dados das Diretrizes.

Entendendo sobre o sistema auditivo

Os ouvidos transformam os sons em sinais elétricos para que o nosso cérebro consiga interpretar e entender.

Quando o médico diagnostica que o paciente possui “fluido na orelha média” ou “otite”, ele quer dizer que existe alguma alteração no ouvido externo ou ouvido médio que não  permite que esse som chegue corretamente no cérebro. E isso causa o que chamamos de Perda Auditiva Condutiva ou Mista. Esse quadro é o mais comum nas pessoas com SD devido as alterações estruturais e anatômicas da orelha externa e média.

Até agora tudo bem, mas e como faço para descobrir se tenho a audição comprometida?

Crianças com Síndrome de Down precisam ser avaliadas auditivamente com regularidade. Ao nascimento, já sabemos da importância e necessidade em realizar o Teste da Orelhinha, porém essas alterações poderão surgir ao longo do desenvolvimento da criança e não serem detectadas logo nos primeiros dias de vida. O ideal é a cada seis meses realizar exames específicos para avaliar a audição, juntamente com a avaliação médica do especialista que acompanha o desenvolvimento da criança.

Senhores pais fiquem atentos! Se o seu filho tem SD e apresenta com frequência infecções do trato respiratório, sempre solicite ao médico uma avaliação nos ouvidos também.

Dentre os exames auditivos importantes, podemos citar a audiometria tonal e vocal, as emissões otoacústicas, a imitanciometria e o PEATE. Cada um tem seu objetivo especifico e será solicitado pelo médico conforme a necessidade e idade do indivíduo.

E se meu filho tiver infecções de ouvido com frequência, no que isso pode acarretar?

Bom, primeiramente a dor de ouvido dói, causa incômodo, irritação e é preciso realizar o tratamento através da avaliação médica e medicamentos prescritos. Se o seu filho apresenta otites de repetição, provavelmente sua audição não está normal e isso acarreta em atrasos no desenvolvimento da fala e do aprendizado. Para o desenvolvimento do seu filho, é muito importante estar ouvindo bem, a audição é o que nos faz socializar e desenvolver a linguagem, a comunicação. Então busque sempre auxílio do médico ou do fonoaudiólogo para verificar o desenvolvimento da audição e da linguagem da criança para que, caso necessite, seja feita a intervenção de forma correta e eficaz!

Fonte: Diretrizes de Atenção a pessoa com síndrome de Down, Ministério da Saúde, 2013.

 

Sobre a  Autora:

Andressa Brinhosa Deparis
CRFa 3-9562
Especialista em audiologia clínica